É preciso experimentar a responsabilidade

Muitas vezes vemos a situação de pessoas próximas e sentimos um desejo de ajudar. Se pararmos para analisar descobrimos que dessa relação também surgem sentimentos conflituosos. Em parte a ajuda, em parte a raiva. O acabamos determinando é que subestimamos a capacidade do outro e justificamos que: “o outro não se vira sozinho”. Na verdade não temos qualquer tipo de obrigação em ajudar. Mas sentimos um misto de pena e tristeza pela situação e também um sentimento lá no fundo de que temos sim uma certa obrigação.

Vemos isso acontecer o tempo inteiro nas relações familiares. Pessoas que se sentem responsáveis pelos outros. Isso sempre acaba gerando um conflito emocional. Se não ajudam sentem culpa, pena e tristeza. Se ajudam acabam ficando com raiva, sentem-se explorados. Em muitos casos passam a cobrar, infernizar e tentar controlar a vida do outro querendo ele comece a agir por si só para que deixe de ser um fardo.

Quando um bebê nasce ele é cem por cento dependente dos adultos. Todas as suas necessidade precisam ser providas pelas pessoas que estão como seus responsáveis. É natural que seja assim. O adulto tem o dever de prover alimento, conforto, limpeza, carinho, abrigo e todos os tipos de cuidado para o bem estar da criança. Nada mais óbvio.

Entretanto, a medida que a criança vai crescendo, gradativamente ela deve aprender a cuidar de si mesma até que vire um adulto independente. E os adultos devem ter o discernimento adequado para ir aos poucos soltando a criança para que ela cresça.

O que ocorre muitas vezes é um prolongamento nocivo e desnecessário onde os pais ou outras pessoas continuam assumindo o papel de responsáveis pelo bem do outro. E isso traz muitas consequências negativas.

O protetor fica sobrecarregado, o protegido não cresce. A partir daí vão surgindo mais sentimentos negativos em torno da questão. O protetor desenvolve um sentimento de que ele é necessário além do que deveria, e se apega a isso e não quer perder esse papel. Ao mesmo tempo, uma parte sua sente raiva da sobrecarga e culpa o outro, consciente ou inconscientemente. Se estabelece um jogo de dependência e cobrança.

O protegido por sua vez, desenvolve uma auto estima baixa, um sentimento de não ser capaz de cuidar de si próprio, fica dependente do protetor, e ao mesmo tempo pode desenvolver uma raiva por não ter sido lhe dado a chance de crescer com suas próprias dificuldades. Sente-se também muitas vezes manipulado pelo protetor.

É importante deixar que as pessoas passem pelas suas dificuldades para que elas possam se desenvolver plenamente. Todas as vezes que fazemos algo pelo outro que ele poderia fazer por si só, ainda que com uma certa dificuldade, estamos causando sérios problemas para nós e para a outra pessoa também. Um recém nascido tem que ser vestido pela mãe. Já uma criança de 5 anos pode ir aprendendo a se vestir sozinha, mesmo que não seja fácil pra ela. Tem pais que fazem as tarefas escolares dos filhos, fazem o prato e cortam a carne pra eles (mesmo quando já tem 10 anos de idade), dão banho em uma criança que já tem condições de tomar banho sozinha…

E tudo isso é feito em nome do amor. Para evitar que o filho sofra. Mas o que se passa com isso são mensagens de que o filho não é capaz. É tirado dele a oportunidade de passar pelo “treinamento” que a vida oferece no dia a dia. Sem esse treinamento nos tornamos pessoas fracas e dependentes.

Pessoas que são criadas dessa forma tendem a se relacionar com outras que tem a necessidade de ajudar pessoas fracas dependentes. Estas são pessoas aparentemente fortes, mas que no fundo são dependentes emocionais. Para se sentirem fortes e úteis precisam de alguém com o perfil do fraco.

É interessante observar como os dependentes conseguem encontrar pessoas que fazem o papel do protetor. A necessidade emocional de um se encaixa com a do outro.

Adultos só são responsáveis 100% pelo bem estar dos recém nascidos. Um adulto saudável tem que ser 100% responsável pelo seu próprio bem estar. Querer ser o responsável pelo bem estar de outro adulto está fora da ordem, não resolve o problema. Na verdade cria-se mais problema.

No dia a dia as vezes fazemos coisas bobas pelas outras pessoas que elas poderiam fazer por si mesmas. Por exemplo. Ser o responsável em fazer o outro acordar na hora certa (tem gente que assume o papel do despertador), ser o responsável por lembrar e levar o remédio para o outro tomar, fazer o prato para o outro… Parece algo inocente, não é mesmo? Mas revela um padrão emocional de comportamento dependente, onde um faz o papel do protetor e o outro o papel da criança.

De vez em quando fazer uma gentileza e acordar o outro que perdeu a hora, ou trazer a comida no quarto, é um fato permissivo. Isso vira uma coisa disfuncional, doente, quando um assume a responsabilidade, o compromisso de agir dessa forma sempre, por alguém que pode fazer isso por si só.

O importante é o crescimento nosso e do outro.

Viva intensamente. Acredite no potencial que cada um tem a oferecer, o que não quer dizer que seja o seu potencial. Respeite o tempo de cada um e permita-se agir de forma diferente.

Quer saber mais sobre o assunto e sobre você, agende uma sessão de coaching com Luciana Fiel. luciana@acirandadh.com.br. Cel. 32 88954606.

Posted in:

2 Comments

  1. Boa noite Luciana, maravilhoso esse artigo, concordo plenamente e procuro agir sempre assim; Já a Bianca… rsrsrrs, pensei que você tivesse escrito diretamente para ela. Um abração. Cirinho

  2. Estou vivendo isso na pele mas está sendo muito bom descobrir e compreender minha minha real responsabilidade e poder pasar a agir com mais conciência de até onde posso ir com o outro e comigo mesma. Crescer as vezes doi mas depois que passa a dor fica muito bom, é um alívio. Grata Luciana por seus conselhos orientais. Bjsss Mary

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *