A educação infantil é realmente importante?

A educação infantil é realmente importante? Porque a criança de zero a seis anos só faz brincar? A educação infantil é a primeira etapa da educação básica. O investimento feito na criança de até 5 anos gera lucro para o país porque previne a reprovação e a evasão e resulta na formação de cidadãos mais éticos. Regina de Assis, relatora das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil nos afirma que toda criança que receber uma boa formação antes dos 5 anos dificilmente fracassará no Ensino Fundamental. Países e pais que cuidam da educação de suas crianças desde a sua idade mais tenra viabilizam seu futuro. James Heckman, o Nobel de Economia, e Flávio Cunha (FGV), também nos brindam com suas mais recentes descobertas sobre a importância da educação na primeira infância. Elas demonstram que crianças que tiveram a oportunidade de freqüentar o equivalente a creches e pré-escolas apresentaram na idade adulta renda mais alta e probabilidades mais baixas de prisão, gravidez precoce ou dependência a programas de transferência de renda do Estado no futuro. Ou seja, acaba sendo mais produtivo, do ponto de vista social e fiscal, prevenir do que remediar, investindo desde a primeira infância. A educação nesta primeira fase da vida constitui o verdadeiro custo de oportunidade social – qual seja a oportunidade de investimento com maior retorno social disponível. E mais: quanto menor for a idade da criança objeto do investimento educacional recebido, mais alto será o retorno percebido. Por muito tempo a educação infantil foi conduzida por ordens religiosas e tinha o caráter unicamente assistencialista, voltado para atender crianças “desassistidas” e/ou sem família. Com a Lei de Diretrizes e Bases e a elaboração do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil publicado pelo MEC/1998, podemos afirmar que fizemos progressos, mas ainda temos muito a conquistar. A criança, nos primeiros anos de vida, necessita também, além de cuidados e de um ambiente de qualidade, de aprendizagens significativas para se desenvolverem integralmente e alcançarem suas potencialidades individuais. Brincar é coisa séria! Brincar é a forma privilegiada de conhecer, compreender e explorar o mundo. Quando brincam as crianças estimulam os sentidos, aprendem a usar os músculos, coordenam o que vêem com o que fazem, adquirem domínio voluntário sobre seus corpos, direcionam seus pensamentos e lidam com suas emoções, adquirem novas habilidades, tornam-se proficientes na língua, exercitam a criatividade, exploram diferentes papéis e, ao dramatizar situações da vida real, aprendem a gerenciar a complexidade de seu papel histórico e a tomar decisões com confiança e auto-estima. Por isso mesmo, a brincadeira nesta idade deve ser baseada em intenções pedagógicas explícitas, as quais devem ser traduzidas em intervenções docentes sistematizadas e aferidas com competência profissional. É hora das famílias, dos educadores e dos governos destamparem seus olhos e enxergar a educação infantil no papel que realmente lhe cabe, papel este de momento crucial na formação do filho, do educando e do cidadão. Para finalizar deixamos uma reflexão de um pensamento africano citado numa publicação da UNICEF. “O mundo que temos hoje nas mãos não nos foi dado por nossos pais; na verdade, ele foi emprestado por nossos filhos.”

Um comentário em “A educação infantil é realmente importante?”

  1. Dra Luciana, meu filho hoje com 9 anos frequentou desde os 3 anos creche municipal. Foi muito bom em muitos aspectos até porque eu trabalhava o dia todo na época e não teria com quem deixá-lo. A grande dificuldade que tive com ele até dois meses atrás é que ele é TDAH, hoje em tratatamento com ritalina LA. As escolas, inclusive as particulares, e tbém as creches simplesmente não conhecem o TDAH. Na minha opinião grande parte dos benefícios de uma Educação Infantil podem se perder no caso do TDAH pq essas crianças são primeiramente “rotuladas” são os baguceiros, os sem limites, os impossíveis, os agitados e por aí vai. No caso do meu filho, como disse no início, somente há 2 meses tenho “paz”. Ano passado ele foi reprovado somente por causa da matemática e em escola particular. Tive que tirá-lo da pública porque estava sendo deixado para trás e rotulado. Gostaria muito de ter sua opinião sobre essa situação das nossas escolas em relação ao TDAH.
    Gostei muito do blog, pretendo lhe enviar um email e cheguei até você através do Reconstruindo a vida do Alexandre Schubert. Obrigada,

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